Cursinho de Literatura

Um ano pleno.

Estava no começo do ano de 2012 , vivendo a perda do meu marido querido, quando

Minha filha Carolina e meu genro me ofereceram um presente de aniversário, Carol estava grávida de dois meses.

E é o meu melhor presente.

Como disse minha filhota, Alice veio ao mundo com uma dose a mais de alegria, nossa pequena tem a síndrome de down.

Depois dos pais, fui a primeira a saber e na hora aprendi em frações de segundos o que não tinha aprendido uma vida inteira: doar-me totalmente, transcender, colocar-me a disposição do outro. Aceitação.

O que interessava naquele instante é que minha filha Carol poderia contar comigo plenamente e pra sempre.

O que interessava mais ainda é que Alice era um presente abençoadíssimo de Deus.

Todos os medos, tensões e ansiedade esvaiam-se ao olhá-la: tão linda, tão amada.

No meu coração só cabe felicidade e amor, não há espaço para angústia, muito menos revolta. Nem tem por quê.

Afinal, eu tenho o melhor de todos os presentes: ALICE, meu ALICErce de vida.

Com você, neta amada, estou aprendendo ser uma pessoa melhor.

Com você, Alice, sou muito feliz, MUITO FELIZ. Simplesmente feliz.

Sem coragem de escrever, sem coragem de blog; abro e o último post foi Finados, uma semana antes de o Ney operar, pois é…

Só hoje consegui abrir a mala que ele arrumou para ir pra clínica , e que nem foi mexida.

Dentro o pijama novo,  roupa de baixo,toalha, sabonete, escova, shampoo…

Os óculos e o livro O jardineiro noturno, o marcador na página 91.

( triste)

“mas as coisa findas, muito mais que lindas, estas ficarão” ( Drummond)

Eram As Minas Gerais ainda e eu, criança,  acompanhava minha avó até a cidade vizinha de Vassouras, no estado do Rio. Íamos de trem, carregadas de flores, caprichosamente mandadas pelos parentes  de Barbacena, que tinham um roseiral. Eles abasteciam a família, nos casórios e nas mortes.

Nunca tive medo de cemitério, até me divertia, pois era um dia diferente. Mortos só meus bisavós, era ainda uma criança, a vida era mais presente. Em Vassouras, cidade imperial, havia túmulos lindos, alguns soturnos, abissais mesmo, pois descíamos uma escada, e numa espécie de porão estavam enterrados os religiosos ( minha avó era muito católica).

Com a mudança na adolescência pra Santa Catarina, íamos ao cemitério no dia de Finados, mas não tínhamos parentes, só mais tarde, em 1974, veio a ser enterrada ali a minha avó querida, vó Stella, a que me levava à morada dos mortos, para não repetir a palavra toda hora.

Antes de ela estar enterrada ali, ia com minha amiga Valquíria Silvestre ao túmulo do pai dela. Ficava pasma com o chiquê do cemitério de Criciúma. Muitas capelas  competindo entre si. E o dia era mais festivo também.

Entretanto nunca curti cemitério. Não tinha medo, mas nada me ligava a ele. Gosto de igrejas, por exemplo, grutas, capelas. Sempre estranhava quem tinha o costume de ir, fora das datas de praxe.

Até que minha mãe morreu, e morreu nova, de repente, ao fazer uma angioplastia, vocês sabem.

Senti muito e uma das coisas que me me ajudou foi visitar seu túmulo. Pra começar , fica num lugar super acessível ( é o do Itacorubi), bem no começo, praticamente estacionava o carro em frente.

O primeiro clic foi poder conversar com ela, sim, estava meio agoniada, minha mãe sempre foi o meu guru, agora quem iria me ensinar as coisas e tudo mais?

Estava na primeira semana e tinha que dar conta das coisas dela, as quais fui guardando, para um depois… com calma.

Havia, porém, o quarto dela, o mesmo dos meus bisavós, lindíssimo, penteadeira, espelhos franceses, show. Era herança minha, desde sempre. O problema é que não cabia no meu apê, e aquilo ficou me agoniando, pois a mãe era danada, quase morreu quando eu falei que iria pintá-lo de branco um dia. ( nunca acontecerá, podem ter certeza).

Pois bem, fui ao cemitério e danei a conversar com ela, expondo os motivos, pedindo ideias e chegando à conclusão de  que os móveis ficariam na tia Sônia, até eu ter uma casa grandona. E assim foi, daquele dia em diante, o cemitério virou meu consultório terapêutico, todo sábado, pelas quatro da tarde,  eu levava uma linda flor e batia aquele papo com a dona Maristil! Minha mãe amada!

Foram pelo menos uns dois anos assim, aos poucos fui parando de ir. Hoje vou no dia 22/3, quando ela faleceu, no dia de finados e dia 2/12, aniversário dela. Encho o túmulo, cobrindo-o mesmo, com crisântemos coloridos.

E a história de avó e neta se perpetua. A Rafaella vai comigo, reza junto, visita os túmulos vizinhos e sempre, sempre mesmo, tira um vasinho de flor da bisa dela e coloca no da vizinha, que está sem flor nenhuma , tadinha, ela comenta.

Já está ficando repetitivo reclamar da falta de tempo, eu sei. Mais ainda do cansaço do final do ano, aliás do ano inteiro. porém é esse o meu pensamento recorrente, uma absoluta falta de tempo pra mim. Ainda que eu esteja tentando.

Resolvi que só vou fazer academia ( e suas variantes) quando entrar de férias, mais importante ainda, resolvi que ano que vem minha agenda pessoal virá antes da profissional, vale dizer, primeiro o horário da academia, depois o das aulas.

Estou goostando muito desse olhar que estou me dando, devagar, que esse tem sido o ritmo possível, mas é bom me encontrar e ser feliz.

Há um mês resolvi fazer umas massagens modeladoras, ideia da minha filha Carol, que já havia feito lá na Unisul, na Cosmetologia, porque além de legal é mais em conta.

Foi uma piada minha primeira sessão: a professora me indicou fazer corrente russa entre outras modelações.Fui pra “aula” completamente sem saber o que aconteceria comigo. Duas alunas do curso, bem simpáticas me prepararam, amarravam em mim uns cintos, colocaram uns cremes e inseriram nos tais cintos algo com o feitio de um porta-copo.

Até ali tudo bem, estava quase dormindo, o que sempre acontece quando sou forçada a ficar parada e nada depende de mim; foi então que as vi pegarem uns fios… Entrei em pânico e perguntei : dói?

Responderam-me que no limite do suportável.

Sinceramente, não sei o que estava esperando de uma sessão chamada corrente russa, logo eu professora de Literatura que adora dar símbolos a tudo entendi de forma literal a expressão ” corrente”. Sim, achava que eram correntes que massageariam meu corpo. Pode?

Pois é… mas estou amando e pretendo continuar com a batalha. Sei que valerá a pena.

Não é fácil ser criança, lembro. São lindas, símbolo de esperança, felicidade. Não é fácil ser criança, porém.

Sempre tenho pena delas, todas, das ricas, das pobres, principalmente das crianças como conceito. Generalizando-as.

Se há uma foto de um velho, e ele sofre, me dói, mas me dói mais o sofrimento da criança.

Ela não pode decidir, ela não pode ir, ela não pode.

Esse não poder é triste!

E sempre há um adulto por perto.

 

Fui à nutricionista no dia 19/7, estava com 86, 9 e ela me passou uma dieta bem legal, reeducação alimentar mesmo. Duas semanas depois voltei e já me sentindo mais magra me pesei e não havia perdido um só grama! imagino a cara que fiquei!

por incrível que pareça, foi bom, pois prestei mais atenção à alimentação que não estava tão correta como eu pensava: sempre uma fatia a mais de qualquer coisa, e vocês sabem, a matemática é sempre exata.

Eis como estou:

Paciente: Sônia Maria Ferreira Rivello

Dados Antropométricos 2011

Parâmetros

19/07

02/08

23/08

20/09

Peso atual (kg)

86,9

86,8

81,6

80,4

Altura (m)

1,53

1,53

1,53

1,53

Circunferência

114 cm

112

110

109

IMC (adequado 20-25)

37,1

37,0

34,8

34,3

Diagnóstico nutricional

Obesid 2

Obesid 2

Obesid 1

Obesid 1

é, devagar MAS sempre!

( sem forças para escrever, elaborar etc etc, palavras presas! )

nele, acordo às 5 horas, leio jornal no PC, tomo meu café, saio às 6h35, começo a aula às 7h20.

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