Cursinho de Literatura

Hiatos

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/28

Havia um tempo que as aulas começavam em março, e nós professores começávamos uma semana antes… Pois é… e reclamávamos.

Havia uma época em que eu ria do meu povo lá de Minas que começava a ir pra aula em fevereiro…Eu alegava que aqui era praia. E ria que ria.

Havia um tempo que a gente sentia saudades da escola, do trabalho, que dava tédio tanto tempo ocioso… Hoje se tem a sensação de que  se entrou de férias ontem…

As pessoas estavam diferentes, ou mais gordas, ou mais magras, diferentes, descansadas…

Desculpa, Darcy Ribeiro, com todo respeito  a sua obra, mas que herança chata essa dos 200 dias letivos!

Recorro mais uma vez ao Drummond:

Havia jardins, havia manhãs naquele tempo

Fim de férias…

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/21

…na Cachoeira. Até domingo, devo voltar para o centro, sair da minha casinha de praia, que não é minha, na qual brinco tanto de ser feliz, de ser à toa, de ser um pouco menos estressada.

O dia exato da volta dependerá do tempo, porém de uma coisa tenho certeza: a partir de segunda -feira o sol vai brilhar, com uma brisa leve à beira-mar e todos os gringos terão voltado para casa. É a lei de Murphy, se bem que o meu marido diz que esse mau tempo se deve à praga que lancei nos dias de calor intenso. Maldadinha.

Mas, sou uma Pollyanna, já que vou embora, vai ter TV a cabo, internet, e pay per view do BBB (  nem adianta me criticarem, divirto-me horrores).

Então, ciao, vou aproveitar pra dar um mergulho, antes da próxima chuva.

Pense no Haiti, reze pelo Haiti

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/18

Quando o telefone tocou hoje, lá na praia, às 7h 30 min, senti que não seria coisa boa. e não era mesmo.

Minha filha Carolina perguntou se já haviam me ligado… Contou então da morte do Guto, amigo nosso, ex aluno, filho da nossa Aurélia, professora de música. Morreu assassinado. Triste. Guto que estava ajudando a mãe que passa por uma doença degenerativa, por isso estavam no Rio Grande do Sul. Nosso menino sempre foi danado,  mas bom coração,conhecia-o bem, pois era da sala da Stellinha. Fizeram primeira comunhão juntos e estava sempre nas nossas festas juninas do Sambaqui. Que Deus ilumine sua alma e dê força para sua mãe, tão guerreira sempre.

Mas as notícias não pararam ali, Carol disse que recebera um e-mail dizendo que a nossa Vaine havia falecido em um acidente de carro. Como assim?  A Vaine não morre, gente! Ela  é que sempre nos ajudava  com toda sua espiritualidade. Quem agora iria nos confortar? E a notícia se confirmou: brilha no céu resplandecente a nossa artista amada, a nossa professora mais antiga, a nossa amiga, tão amiga.

E começa este ano assim, com Angra, com Zilda Arns, com Haiti…( o post hoje seria sobre o Haiti, usando a música do Caetano)

E daqui ,  vamos buscando seguir em frente, lembrando da fragilidade da vida.

Saudades, queridos.

E, Vaine, você já sabe  que eu sei dos seus papos com a minha Mãe, que ela sim, deve estar toda prosa com a chegada da amiga. Cuidem aí do Guto, pois sabem, é garoto, bagunceirinho. Deem  uma faladinha com Deus, para ajudar o povo do Haiti.

” Mas as coisa findas,

muito mais que lindas,

estas ficarão.”

Ser professor é…

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/11

Ser professor, além de todo o trabalho durante o ano,é não conseguir relaxar direito nas férias. Sabe por quê? Não sabemos se ao voltarmos teremos emprego, ou se teremos o mesmo número de horas aula. Isso incomoda, pois um mínimo de segurança é sempre bem vindo.

Quando comecei a trabalhar no Coração de Jesus, fui exclusiva durante 22 anos; depois, com a crise, tive que procurar outras instituições para trabalhar. Atualmente, estava lecionando no Energia Jurerê e no Bom Jesus. O Energia, ensino médio, fechou, ainda bem que o Geração me chamou e vou trabalhar lá esse ano, também.

Acho que vou parar esse post por aqui, pois estou meio amarga.

Ainda bem que me conheço, sei do meu vício, bastará ver o primeiro rosto de um aluno, o primeiro desafio de uma nova escola, para detalhes como salário, folga etc fiquem em segundo plano.

Pois, paradoxalmente,  o mais legal dessa profissão é justamente que cada ano é diferente!

Viu, já melhorei o humor!

Carolina

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/08

Era dia 9 de janeiro de 1983, domingo, quando Carolina veio ao mundo. Dizem que as pessoas nascidas no domingo são especiais, nem era preciso esse dito, pois já sabia que minha filha amada seria um ser de luz, abençoado, o qual só me traria alegrias.

Lembro-me de que saí  da missa e senti uma levíssima contração, fiquei quietinha e fui pra casa me preparar: arrumei o quartinho dela, passei cera na casa, enfeitei tudo, arrumei a Stella para levar para uma amiga e só depois dei o alarme.

Parto normalíssimo ! Nasceu uma menininha linda, com olho pretinho e muito cabelo, parecia uma punk. Atarracou-se no meu peito e mamou até um ano de idade. Por isso digo que é sempre sadia e forte. Cresceu alegre, determinada e feliz.É o nosso orgulho: ética, companheira, profissional exemplar e uma filha muito boa.

Carolina, minha filha, você é o meu presente,  presença certa de que Deus existe.

Quando era pequenina, ao escutar a história sofrida da vida da sua mãe, resolveu fazer um desenho para me alegrar ( guardo-o até hoje). Desenhou uma história de amor e ao final aparecia a mão de Deus trazendo um bebê, e uma voz em off , de Deus, dizendo, toma , Soninha, seja feliz.

Sim, filha amada, você é a alegria do meu viver. Joia rara, moldada no mais profundo Amor.

Parabéns, pelo seu Aniversário!

Carolina e seu namorado Thomas, o qual faz aniversário hoje. Dois capricornianos!

Tédio

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/08

É na hora que o tédio chega que as férias de fato começam, nesse instante há a certeza de que se está descansando.

Preciso muito desse tempo na minha vida, de verdadeiramente não ter obrigação de fazer alguma coisa, pois nada adianta trocar um estresse por outro. Lembro-me de quando passava férias em Paraíba do Sul, interior do estado do Rio,as meninas eram pequenas e eu adorava aquele clima de cidade pequena,o povo não entendia como eu largava Floripa e me metia naquela cidadezinha. Além de rever a família, eu gostava de estar na frente de uma praça de palmeiras imperiais e com todo o clã familiar paterno reunido.

Meu pai, tirava férias também em fevereiro e como era casado de novo, tinha quatro filhos pequenos, todos menores que a minha mais velha, pode? Ia sempre para casa da minha avó Dalila. Lugar do encontrão. Gerente do Banco do Brasil, devia ter uma vida corridíssima, e o que mais me espantava é que nessa época ele tirava para fazer check-up, levar os filhos ao dentista, resolver papeladas etcetcetc. Credo!!! No final, ele precisava de outras férias.

Minhas meninas confessam que não gostavam muito desse período, mas eram pequenas e eu nem percebia, ainda bem, porque eu adorava toda a muvuca. Elas gostavam de todos, mas deviam sentir falta da Floripa delas.

E eu sinto uma saudade imensa de todos nós reunidos, os Rivellos. Pai, tias, avós, e esta penca de irmãos que agora cito e da qual sou a mais velha: Tânia, Lucinha, Kátia, Vinícius, Vítor, Henrique, Paulinha.

A sorte é que quando esse período acabava, eu tinha o porto seguro da minha mãe e do meu irmão Teófilo, o lado materno familiar e sempre amado e presente.

Bom, comecei com tédios e terminei com reminiscências. Como na vida, não se tem controle de nada. Ainda bem.

Férias, trabalho e falta de educação.

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/06

Quando estou de férias, tenho a mania de ver todos que estão trabalhando ao meu redor. Penso nisso, cada vez que me estresso na fila do super, na lentidão do trânsito, de quem não pode dar uma parada pra relaxar.

Talvez, por isso, eu dê tanto valor às minhas férias e às pessoas que me servem no período. Acho de uma dignidade esse povo todo a se matar de trabalhar, para ter um trocado maior no verão.

Nas minhas andanças na praia, sempre acabo conversando com alguém, trocando impressões, receitas, abobrinhas, bem como o tempo de recesso pede, minhas leituras se tornam, também, mais amenas, revista de fofoca inclusive. Repito, porém, sempre valorizando meu descanso e admirando todos os que estão trabalhando.

Talvez seja por isso que fiquei indignada com o que escutei de uma senhora. Disse ela ” Nojo desse bando de nordestino infestando a praia, esse povo lá de cima é muito preguiçoso, o Sul é que os sustenta…” Nem vou citar o resto, pois é de um mau gosto e racismo horrorosos.

Disse isso, confortavelmente sentada, enquanto o pobre vendedor carregava uma tonelada de redes e mantas. Com o calor, parecia a visão do inferno.

É, minha senhora, andando de um lado pro outro esse ” povinho” tenta tirar seu sustento com um mínimo de dignidade, E vai me desculpar: quem está infestando a praia é a senhora!!!

Trilha sonora da praia e outras cositas mas

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/03

Não, a opção não é minha, tenho que conviver com a turma da casa ao lado. Um grupo de umas trinta pessoas em uma casa, na qual, diga-se a verdade, não falta animação.

Desde a virada do ano, depois dos fogos, eu escuto a as mesmas vozes a cantar ” Feiticeira, feiticeira…”ou É a cigana Sandra Rosa Madalena…e tudo termina invariavelmente em ” Não se reprima, não se reprima…” é a treva, como diz a personagem.

Falo assim, mas não me incomodo, divirto-me horrores com a fauna da praia. Tem cada tipo! Como chego cedo, vejo chegando as pessoas e confesso que fico de butuca, escuto as conversas, as brigas, as fofocas. Há, no entanto, coisas que me desagradam, mas não posso fazer nada, é da cultura de cada um, como a de tomar chimarrão na beira mar. Coisa mais ridícula! Rio do pessoal que vem de fora e cisma de só passar filtro solar na praia, em meio a areia e tudo mais.

Amo ver as dondocas tomarem um caldo do filho e molharem seus lindos cabelos. O melhor, porém, são as famílias, chegam com tudo : isopor, sacolas mil, brinquedos, só falta um edredon; e se acham. Há uma turma paulistana que todo dia fala mal da praia e terminam o dia se abraçando e gritando “nós somos *#@”. Bobões.

Só uma coisa me tira do sério, é ver pais chegarem com seus filhos em pleno sol de meio-dia. Quem me conhece, sabe, não poupo a bronca. Faça-me o favor!!!

Que verão!!!

Publicado por: soninharivello em: 2010/01/02

Os adoradores do Sol que me perdoem, mas uma nuvem passageira é fundamental! Sou de Minas, sei o que é ansiar pelos seus dez dias de praia no ano e rezar pelo tempo bom todo tempo. Lembro-me de que chegava fevereiro e minhas tias me emprestavam o apartamento na praia de Charitas, em Niterói(  e eu adorava), convidava a amiga, os tios da outra vertente familiar, enchíamos  o apê e curtíamos cada grão de areia, deliciando-nos com a praia cheia. Daí vocês tiram que eu tenho compreensão pelos que querem o Sol eterno.

Essa discussão começou quando cheguei à casa há uma semana em pleno inferno de verão! Não me recordo de ter sentido tanto calor assim na vida. Cheguei a surtar, pois a casa estava quente, o quintal também, a praia sem vento, a água do mar morna, Virgem Santíssima , os três primeiros dias na Cachoeira quase me fizeram ir embora, e só naõ fui porque o ar condicionado do apartamento estava no conserto.

E foi quando veio a chuva, o delicioso tempo nublado e a possibilidade , finalmente, de ler uma revista com calma, ver novelinha da tarde etcetcetc….

Meu irmão, marido e filhas me olham assustados, cadê aquela rata de praia, a adoradora do deus Sol?

Pois é, a gente envelhece, pessoal. Sorry!

Feliz ano novo

Publicado por: soninharivello em: 2009/12/31

Estou na praia, numa lam house, teclado apagado e morrendo de saudades de vir por aqui. Hoje, porém, é só pra desejar um ano novo bem feliz e pleno, pois tenho que voltar rápido, senão meu marido me mata (coitado, fazendo a ceia).

Ele me deu uma ideia: escrever no lap e trazer gravado no pen drive. será assim, pois estou com mil posts acumulados sobre esse verão na Cachoeira.

Até 2010, até amanhã, e mais Drummond.

A passagem do ano

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olhar e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus…

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras expreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles…e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasta renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.


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